sexta-feira, 19 de maio de 2017

Buraco negro de imbecilidade

Buraco negro de imbecilidade

sugaste os que cercavam com ignorância
não percebeste a gravidade dos atos

dilaceraste com força e com ganância
corrompeste as ideias e os fatos

colapso de uma estrela da consciência pesada
que fez da tua cabeça uma coisa compacta

deixará aqui sequelas mazelas das quais nada
nem mesmo tu permanecerás intacta

mantenho distância do horizonte de loucura
que fiques bem longe como já está

uma densidade de paranóia pura
impede tua luz já fraca de brilhar

engasgaste e expeliste não há mais cura
e não podes voltar ao mesmo lugar

desprendeste enormes torrentes de energia
saíste do controle e começaste a sugar

o bem estar e a alegria
daqueles que a ti tentaram ajudar

és uma estrela que hoje é fria
e desapareceste dando lugar
a um buraco negro de imbecilidade

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Poema de abertura para a nova vida

Poema de abertura para a nova vida

Eu mesmo estranho a alegria,
aproveito sem dó a solitude
e vejo nisso tudo uma virtude:
a de viver o que me traz o dia.

Não importa aqui o quanto mude,
continuarei fazendo o que fazia:
ao invés de chorar de nostalgia,
eu rio com a eterna juventude.

Os problemas são parte do passado.
Hoje somente preservo ao meu lado
os que demonstram sincera lealdade

e me regozijo pela oportunidade
de separar o útil da amizade,
de distinguir o certo do errado.

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Poema de fechamento para a realidade

Desconfio da noção
que crio da realidade.
Como pode felicidade
existir com depressão?

Abalada, minha emoção
caminha com sobriedade
enfrenta com dificuldade
os dias que ainda virão.

O riso frouxo é sedativo,
quando rido sem motivo,
usado contra a lembrança:

é o passado que alcança,
que machuca essa criança,
parecendo um fugitivo.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Vênus Nascente

Datada de "sábado, 15 de setembro de 2007", com última edição em "segunda-feira, 28 de setembro de 2009". Tem dois finais:

Vênus Nascente
A Vênus caminha sobre tua aurora,
namora o coração, que bate por teu beijo,
que vive ainda vivo só pelo desejo
de tê-la a todo instante, como teve outrora.


Aflora minha amada, venha num lampejo.
Seja a flor serena que desperta fora
da janela. E quando chegar nossa hora
direi aos teus ouvidos o que tanto almejo.

Final I

E se nesse mar de flores eu não te encontrar,
prepara-te de preto pra me visitar
e ouvir o que eu não disse pra ninguém:

palavras das mais belas, que não se repetem,
ditas só com olhos, ditas só para quem
não precisa de palavras pra poder escutar.

Final II

És gota, és flor. És estrela e musa.
Não abusa do poder, bela medusa,
que em pedra transformou meu coração.

Agora te põe-te no horizonte da canção
e fica longe das que ainda virão,
que hoje é a poesia que te usa.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sou um barbeiro com minhas navalhas

Existem alguns princípios que norteiam o pensamento. Eles não são absolutos, mas ajudam a não perder tempo. As chamadas “navalhas” são estratégias de pensamento oriundas da Filosofia, as quais podem ajudar a tornar mais claros os debates e as soluções de problemas. Gosto especialmente dessas:

1- Navalha de Hitchens
2- Navalha de Occam
3- Navalha de Hanlon / Heinlein

Foto de uma navalha
#PraCegoVer: Foto de uma navalha antiga.

Navalha de Hitchens

“Quod gratis asseritur, gratis negatur”.


Se é afirmado sem argumentos, é descartado sem argumentos. Já evitei muitos debates que seriam longos, chatos e dariam em conflitos, me lembrando disso. Infelizmente, pode soar como arrogância, mas é questão do mal menor.

O problema geral é que, em grande parte dos casos, afirmações sem argumentos são as defendidas com mais força de vontade. As pessoas não querem abrir mão de suas crenças centrais. Até mesmo essas navalhas, se levadas muito a sério, podem ser um problema.


Navalha de Occam

"entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem"

É frequentemente descrito pela expressão latina Lex Parsimoniae (Lei da Parcimônia) enunciada como as entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade. Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor.

O princípio afirma que a explicação para qualquer fenômeno deve assumir apenas as premissas estritamente necessárias à explicação do mesmo e eliminar todas as que não causariam qualquer diferença aparente nas predições da hipótese.

A Navalha de Occam, como as outras, é um princípio metodológico, e não uma lei que diz o que é verdade e o que não é. Ou seja, ela não sugere que as explicações mais simples são sempre as verdadeiras e que as mais complexas devem ser refutadas em qualquer situação. A explicação mais simples nem sempre é a mais correta.

Para Walter Chatton, contemporâneo de Occam, se três entes não forem suficientes para verificar uma afirmação acerca de algo, então uma quarta deve ser acrescentada, e assim por diante. Karl Menger afirmou que as entidades não podem ser reduzidas até ao ponto da inadequação, e é inútil fazer com pouco o que requer mais. E Albert Einstein disse que tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso.

Navalha de Hanlon / Heinlein

"Nunca atribua à malícia o que pode ser adequadamente explicado pela estupidez."

Especialmente útil para os ansiosos como eu, que em suas cabeças discorres diálogos acalourados com aqueles que lhes causam mal ou desagradam. É uma distorção cognitiva comum querer realizar leitura mental dos outros, achar que sabe o que os outros estão pensando e não considera outras possibilidades mais prováveis.

Quais são seus argumentos para achar que há malícia nos atos de outrém? Esta é a explicação mais provável para esses acontecimentos?

Em geral, as pessoas são burras mesmo. Ou não. Não simplifiquemos tanto, não coloquemos tudo no preto-no-branco. Há tons de cinza, misturas de bondade e maldade, inteligência e estupidez, e grandes combinações desses e outros fatores.

Pretexto

Pretexto
Negro e quente, dele sou dependente.
E tantos outros que conheço também.
Ainda não sabemos se nos faz bem,
ou se é ele que nos deixa doente.


Os sorrisos amarelos quando se vêem
nos corredores são sinceros. Atente:
a cor não me deixa menos contente
quando por lá eu encontro alguém.


Doce ou amargo, é o cheiro forte
que enche meus pulmões de tal sorte
que todos os dias me deixa em pé.


Entre conversas, lá vem uma mulher,
e em suas mãos a garrafa de café:
três xícaras por dia, para dar sorte.