segunda-feira, 31 de maio de 2010

Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines

A fatalidade me veio quando repeti o desejo. Ou melhor, quando pensei em repetir, pois ultimamente eu tenho me reduzido nas palavras. O meu velho sonho, meu objetivo de vida, estava furado. Agora, me tornei um homem do presente.
Bom, isso é o que percebo enquanto escrevo. Sempre escrevi pensando nos meus atos futuros, no meu futuro distante, no meu homem completo. Agora, estou vendo que parei de perseguir sonhos futuros e estou vivendo muito no presente, porém de modo fútil.
A minha decisão, que tomo conforme digito aqui, é a de viver intensamente cada segundo. Para, quando morrer, eu perceber que a vida foi imensamente feliz. Poxa, me parece só mais uma desculpa...
Me parece só mais uma desculpa, pois é algo que senti no momento em que vi que meu sonho principal nunca ficará pronto. E, pior ainda, é só uma desculpa, pois acho que nem esse sonho que estou tendo agora vai ficar pronto. Sou apenas um medíocre.
Como mudar, por onde mudar? Infelizmente, ou felizmente, estou numa situação em que não posso fazer nada agora. Talvez, no futuro próximo, possa começar a tentar. Ou, como mais uma desculpa, finjo que essa situação existe – mas ela nunca existe, para ser vivo algum.
Algum plano? Algum plano?
A fatalidade me veio quando eu quase escrevo, de novo, que meu plano era escrever um livro, escrever muito, escrever para mudar a cabeça das pessoas, ser alguém lembrado no futuro, me fazer eterno, me fazer não ser esquecido. E que nada mais importava, e que meu emprego seria algo apenas para me sustentar. Onde encontraria a felicidade?
Agora, estou imaginando que isso é um plano inconsciente: escrever aos poucos, e viver feliz com as futilidades do momento. É confusão, certa confusão.
Nem mesmo eu entendo algumas palavras do que escrevi e do que acabei de escrever. Perco-me, me embaralho... uso as figuras de linguagem que tanto odeio. Tenho que me focalizar, me determinar.
O homem parece só conseguir atingir o ápice quando a determinação é extrema, quando tudo o que ele faz o aponta para o objetivo final. Ou quando a felicidade nas coisas que faz é extrema, e que não necessita determinação para as coisas que ele faz apontarem para o objetivo final.
Mas, em um ou outro caso, temos que tudo o que o homem faz deve apontar para o objetivo final. Isto é, se você quiser morrer feliz. E quanto a viver feliz? Sinceramente, não entendo... meu único e maior medo é me arrepender de não ter feito coisas para mim mesmo. Pois, quanto aos outros, não me arrependo de nada que fiz em sã consciência – o arrependimento, aqui, é pura falsidade.
Aparentemente, o mundo deve deixar o homem sem saída: ou melhor, com apenas uma saída, a saída perfeita. Não sei. Começo a sentir que não só os outros, como também eu, são apenas amebas arrastadas pelo acaso e pelas determinações do mundo.
Quero força de vontade, afinal!
Uma página, muito ruim, aqui escrita, sobre mim mesmo, que nem sei se vai fazer parte do meu único livro. Creio que não. Parece que estou voltando à adolescência, quando escrevia muito sobre nada. Não tenho coragem de vender meus escritos tão infantis. Parece que aquela minha crise, que seria aos 26, onde minha mente começaria a regressar, veio muito antes. Deve ter vindo aos 17, quando já estava acabando o primeiro semestre da faculdade e me atolando num futuro de enfrentamento sem motivos e falta de coragem pra fugir. Deve ter vindo aos 17, antes de eu imaginar que existiria tal crise, quando eu era muito mais confiante. Ou não, quem sabe... hoje pareço, para mim, ter muito mais certeza das coisas que me cercam, e que eu apenas percebo também os meus defeitos. Estou, hoje, muito mais tímido, receoso, medroso, flagelador de mim mesmo.
E cada vez que volto aqui (pois estes fragmentos são escritos aos poucos, em momentos diferentes) percebo que sempre estive errado no passado: então devo estar errado no presente. Neste momento, estou feliz, sem problemas. Conformado, talvez. Encontrando prazer constante e ritmado. O que me atormenta é a proximidade com o fim da faculdade (antes fosse com o começo): como segurar a barra da vida?
Agora que percebo, virei uma pessoa normal, com problemas normais. Fruto de uma evolução ou involução? Talvez, no existencialismo, quando passamos pela linha da crise, ainda haja outra linha após, que não nos era vista antes. Entrei na crise e saí da crise: estou no mesmo lugar que antes, mas guardo comigo uns estragos passados.
Agora, felizmente ou infelizmente, olho para os outros com um certo ar de superioridade: eles têm problemas que não são problemas, e perdem muito tempo com isto; eles discutem coisas que não dão em nada, e perdem muito tempo com isto; eles crêem em coisas que sei que não existem, e perdem muito tempo com isto. Eu já perdi meu tempo, mas sinto que foi o mínimo de tempo que poderia se perder. Eles, parece que vão passar o resto da vida perdendo este tempo. Ou, vão ficar assim até se cansarem e desistirem: nadarem e morrerem na praia. Já eu, às vezes sinto que cansei e perdi, às vezes sinto que cheguei no ponto final e venci.
Pouco importa se venci ou perdi: quero mais é o futuro, que o passado eu já vivi.

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