terça-feira, 17 de maio de 2011

Orgulho e preconceito

Essa história de preconceito, discriminação, me irrita. As discussões que vejo por aí só servem para me mostrar que a sociedade continua preconceituosa, sendo muito influenciada pela mídia.
É dito religiosamente que preconceito é errado, que piadas de humor negro são de mal gosto. Mas isso apenas no preconceito contra negros. Ora, existem campanhas há décadas, veiculadas na televisão aberta. As pessoas esquecem que o preconceito não é só contra os negros. Piadas com homossexuais, discriminação contra ateus... não entram na lista do preconceito!
"Ora, mas os negros sofrem a séculos... você não sabe o que eles passam...". Os negros têm apoio da própria família! Os homossexuais e os ateus, não. Nem isso eles tem.
Digo isso em virtude de uma história que ocorreu há algum tempo na minha faculdade:
Durante o trote, como é de costume acontece o batismo dos bixos: cada um é chamado individualmente, canta-se uma musiquinha, depois ele se ajoelha e bebe alguns segundos de cachaça. Pois bem, a questão está na musiquinha:
"-Fulano é homem? -Não! -Fulano é mulher? -Não! -O que fulano é? -..."
As reticências são o complemento da história. Canta-se:
"Decorado-or! decorado-or!", "A mais gostosa, a mais maravilhosa!", "Amigo da garotada, dá a bunda não cobra nada!", "Viadinho! Viadinho!", isso a depender de quem está sendo batizado. Se o cara tem "jeitinho afeminado", entra aí o decorador ou o viadinho. Não é preconceito? Não, é só brincadeira.
Mas aí, em determinada vez, o batismo era de um estudante de intercâmbio, vindo do Cabo Verde. E o grito cantado em coro? "Escravo! Escravo!". Ah, agora é preconceito?
Eu, que sou adepto do humor negro, ri. Quem gritou a primeira vez, também. E muitos gritaram juntos, mas só um foi crucificado.
Vou falar uma coisa só para você discordar de mim: não achei errada a brincadeira, achei engraçada; se o cara se sentiu ofendido, ele poderia dizer e teriam pedidos de desculpas (mas quem se sentiu ofendido mesmo foram as "pessoas politicamente corretas").
Mas vamos voltar... vamos abrir o olho, né? O preconceito está justamente aí, em usar pesos e medidas diferentes para pessoas que deveriam ser consideradas iguais. Por que a brindeira contra os homossexuais (viadinho!) não é preconceito, mas contra os negros (escravo!) é?
A resposta já foi dada no começo do texto: a mídia faz diversas campanhas, os negros vestem camisas de "orgulho negro", criou-se uma cultura que diz que o preconceito racial é errado. E é mesmo!
O cara lá que pediu desculpas e foi crucificado, assim como eu, nunca usou pesos e medidas diferentes: ele sempre fez brincadeiras de humor negro com quem quer que fosse, e parou aí. As brincadeiras sendo só brincadeiras. O tratamento, a relação com as pessoas, sempre de igual para igual.



Desafio você, que se discordou de mim, a olhar esse gráfico e começar a tratar essas pessoas como iguais. Votar em um ateu para presidente, não se incomodar com dois homens se beijando (se fosse um homem e uma mulher, não se incomodaria), cumprimentar um transexual, dar um emprego a um ex-presidiário.
Não digo que você deve concordar com eles: eu sou fortemente contra crenças em sobrenatural e em religiões. E só falo disso abertamente para exercer o meu direito de discordar de religiões e pregar o ateísmo assim como os religiosos discordam do ateísmo e pregam as religiões. Mas não trato nenhum religioso mal (ele pode se sentir ofendido por eu dizer que seu deus não existe, mas não o trato mal), enquanto já fui tratado mal por religiosos.
O que eu digo: trate igualmente um religioso e um ateu, um homossexual e um heterossexual, um negro e um branco. Se for contar uma piada sobre judeus e sobre loiras, permita que se conte uma sobre negros e sobre câncer.

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