domingo, 27 de janeiro de 2013

O Cérebro


O Cérebro

BAM!
Caí.
No fundo do poço.
De novo.
De dois em dois anos, mais ou menos, acabo voltando aqui. Mais 60 anos e escrevo um livro. Que velocidade para conquistar as coisas, que habilidade em crescer.
Caí no fundo do poço de novo e, desta vez, já tem uma escada, firme e forte essa. Qual o desafio? Subir.
O desafio é que a escada é longa, enorme, aparentemente sem fim. E, pra piorar, aqui embaixo está tão bonito, tão agradável, que nem sei mesmo por que subir.
Comecei a escalar, um, dois degraus, e, quando percebi, estava com raiva, nem sei de quê. Cadê meu pensamento, minha suposta objetividade, que me permitiria chegar lá no topo? Divaguei com a pergunta: quanto espaço do nosso cérebro é dedicado ao pensamento racional?
Quantas vezes por dia precisamos pensar no que importa realmente, no que deve ser feito, ao invés de sermos levados por uma espécie de "estado de espírito" (talvez instinto)? Qual o grau de racionalidade, versus grau de instinto, nos difere dos outros animais?
Lembrar diariamente, a todo momento, o que devemos fazer, que estamos perdendo tempo em atividades levianas quando poderíamos estar crescendo. Quão produtiva seria nossa vida se pudéssemos ser assim?
Se, em certas situações, todos ao nosso redor sabem a decisão correta a ser tomada - que isso ou aquilo não vai dar certo, que é só paixão, só estupidez, só gula, só hábito, que não dá em nada, não leva a nada, só a problemas que repetimos, repetimos, repetimos -, por que nos achamos racionais, capazes de controlar a nós mesmos?
Agir por instinto é bom, a gente é guiado para o que realmente nos importa. Deixar fluir como a água, encontrar o mar, seguir em frente, parar de bater em pedra. Mas eu sou um lago!
De novo, de novo. Bate a cabeça na parede, quebra a cara de novo. Vontade de ser racional sempre, já teria subido toda aquela escada. Mas fico aqui, sentado.
"O importante é o percurso ou o destino?"
Não sei, NÃO SEI! Essa minha escada é de concreto, cinza, fria, dura, é assim que vejo! Lá embaixo tinha uma grama verde, uma televisão na parede de pedra, uma luz em cima de duas ou três coisas importantes. Aqui não tem nada! O que terá lá em cima? Eu não sei, mas quero chegar! Lá embaixo tava entediante, a comida acabando, eu me desesperando!
Vou me cobrar um pouco menos? Não!
Ah, alguém, por favor, tome uma decisão por mim. Não consigo, minha mente não opera, não sei o que quero. Se eu pegasse aquela bússola do Jack Sparrow, a agulha se dobraria para dentro dela mesma, numa singularidade tal e qual dividir por zero, por que meu objetivo é descobrir meu objetivo. Minha escada é uma escada de Escher, não importa o quanto eu suba, estou no mesmo lugar, em lugar nenhum.
Se o hábito e o instinto são as únicas coisas que realmente movem uma pessoa, pois a racionalidade é uma besteira no nosso cérebro animal, eu estou definitivamente fodido. Basta me ler.

Se oito anos atrás eu achava que tinha saído do poço, a cada dois anos um texto acaba e eu estou cada vez mais longe disso:
Castelo de Cartas
Tela de Sangue
Documentos em Branco
Correntes

Mas Vou me cobrar um pouco menos...

Escrito hoje, 27/01/2013

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