quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A dupla penitência de um crime não cometido

A dupla penitência de um crime não cometido

Hediondo, o homem que atira em próprio peito...
Por prazer, por pudor, por não saber,
comete um crime não só contra si. E sofre
pelo pecado não praticado, por ter que se conter:
se prende para não perpetrar tal feito.

Mas a prisão nunca curou ninguém.

A dupla penitência está então concretizada
(por um crime que nunca fora cometido, de violar
fronteiras frouxas, por um prêmio inexistente):
se aprisionar, reduzir a própria liberdade;
se torturar em continuar a querer cometer.

Planejou motim, rebelião contra a alma.
Conteve-a em chacina de um homem só.
Carcereiro em cárcere, com a chave nas mãos,
escreve a confissão do crime de querer fugir.

Ps.: todo crime tem motivação,
todo assassinato tem arma,
todo álibi pode ser furado.
Ninguém é obrigado a gerar
provas contra si mesmo.
A prisão já é punição suficiente,
ninguém merece ser torturado.

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