sábado, 8 de fevereiro de 2014

Transtorno de Personalidade Obsessivo-Culpulsiva

Em negrito, as partes em que me identifico. Em itálico, as minhas palavras.

Não fui diagnosticado por um profissional e é provável que eu nem tenha isto. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais não é uma revista com testes de personalidade que você vai marcando e descobre qual seu emprego e com quem vai casar. Transtornos de psíquicos podem ser graves e até mesmo fatais.
Uma leitura completa sobre o transtorno mostra que, mesmo que eu me assemelhe, não posso ser classificado como "transtornado" (me faltou a palavra correta).
O objetivo da postagem é apenas me conhecer.

Critérios Diagnósticos para F60.5 - 301.4 Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva
Um padrão invasivo de preocupação com organização, perfeccionismo e controle mental e interpessoal, às custas da flexibilidade, abertura e eficiência, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por pelo menos quatro dos seguintes critérios:

(1) preocupação tão extensa, com detalhes, regras, listas, ordem, organização ou horários, que o ponto principal da atividade é perdido
Não me importo tanto com detalhes, gosto de seguir regras (leis, não quebro, regras de um jogo, quebro em prol da diversão, sou mais flexível que muitos nisso), ordem se bagunça, há ordem no caos, cumpro horários! Não sei se me identifico, exceto pelo negrito: às vezes não sei o que há de divertido no pôr-do-sol.

(2) perfeccionismo que interfere na conclusão de tarefas (por ex., é incapaz de completar um projeto porque não consegue atingir seus próprios padrões demasiadamente rígidos)
Gosto de trabalhar com a lei do menor esforço: faça o mínimo possível para seu trabalho ser bom e satisfatório.* E consigo concluir minhas tarefas.

(3) devotamento excessivo ao trabalho e à produtividade, em detrimento de atividades de lazer e amizades (não explicado por uma óbvia necessidade econômica)
Não falto ao trabalho por qualquer coisa: tenho compromisso e responsabilidade. Preciso do dinheiro (mas não tanto quanto acho). Mas não sou dedicado, podendo passar um dia inteiro distraído com coisas alheias ao trabalho. Mas eu faço tudo. Não chego ao "detrimento de atividades de lazer". Tomo a decisão de sair com a galera numa quarta-feira, dormir tardíssimo e acordar cedo para ir ao trabalho... mas tem gente que diz que eu deveria era faltar ao trabalho. Não, prefiro faltar à diversão, mas sei que posso os dois.

(4) excessiva conscienciosidade, escrúpulos e inflexibilidade em assuntos de moralidade, ética ou valores (não explicados por identificação cultural ou religiosa)
Neste ponto, ao mesmo tempo em que me identifico plenamente, também vejo em mim grandes mudanças recentes. Não há nada nesta frase de errado (sobre mim), e, por isso, está toda em negrito: a ausência de identificação cultural ou religiosa não me deu motivos para considerar a homoafetividade imoral; porém, uma visão ética, sobre o que é justo e correto, me faz (ainda) ser muito rigoroso sobre a questão da fidelidade. Dois anos atrás não dava para discutir comigo sobre fidelidade, o discurso era "não traia, não é difícil; sei que as pessoas se apaixonam, quando em relacionamento, e, neste ponto, ou você conversa, ou você acaba; e não venha me dizer que a pessoa é jovem ou imatura, pois passei por isso muito novo". Enfim... hoje sou um pouco mais "flexível" - melhor dizendo, eu considero para o argumento ético que existe uma curva normal sobre as merdas** que as pessoas fazem e, sabendo desta curva, podemos perdoar e considerar uma quantidade moderada de merda** vindo de cada pessoa.

(5) incapacidade de desfazer-se de objetos usados ou inúteis, mesmo quando não têm valor sentimental
Eu jogo fora mesmo. Sou o completo oposto. Até tento fazer uma caixinha com lembranças, para um dia no futuro eu lembrar do passado. Mas tento, só isso.

(6) relutância em delegar tarefas ou ao trabalho em conjunto com outras pessoas, a menos que estas se submetam a seu modo exato de fazer as coisas
Meu problema em trabalhar em grupo são: a) pessoas desqualificadas para realizar tarefas; b) pessoas que desejam fazer mais do que o necessário; c) pessoas que não sabem tomar decisões. Aprendi, então, a: b) descobrir o que os outros desejam, adicionando qualquer coisa que eu considere dentro do mínimo necessário*; em seguida, c) tomar a decisão de dizer quem fica com o que, delegando tarefas que a) as pessoas menos qualificadas ao menos tentem fazer; e, aí, me preocupo em b) fazer apenas o necessário da MINHA PARTE...
SOZINHO.

(7) adoção de um estilo miserável quanto a gastos pessoais e com outras pessoas; o dinheiro é visto como algo que deve ser reservado para catástrofes futuras
Não chega a ser miserável, mas evito ao máximo gastar qualquer centavo a mais que meu orçamento e a mais que no mês anterior (no mês anterior eu consegui, não?). Não chega a ser miserável, mas é que eu realmente não sou de ficar desejando e ostentando, eu quero apenas o útil e necessário - e sei que diversão é necessária. Qualquer dinheiro que entra a mais ou que sobra no orçamento deve ser reservado para alguma catástrofe futura.

(8) rigidez e teimosia
É até redundante, se avaliar os 7 pontos acima. E desonesto, pois me dá mais um ponto, sendo que eu só precisava de 4. Tenho regras que sigo, que, se em acordo, os outros devem seguir, que, se os outros não seguem, é problema deles, só tenho que saber como lidar com esta "intempérie". Regras, na mente humana, não são apenas leis, mas são "modus operandi" do cérebro, são esquemas cognitivos, são bases de conhecimento... e é difícil eu modificar; por isto, decidi não solidificar pensamentos até o momento necessário.

*Leia e entenda ao pé-da-letra: o trabalho TEM que ser bom e satisfatório, mas não faço nada além disto.
**Eu ia usar outra palavra, mas pensar num gráfico com uma curva normal e que embaixo dessa curva está num monte literal de excremento e que podemos chegar com uma pá literal e remover uma camada de excremento da humanidade... foi um pensamento interessante.

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