terça-feira, 8 de setembro de 2015

sempre vale a pena tentar?

Aceitamos os limites impostos pela natureza: sabemos que não somos imortais, que não podemos separar nossos corpos da contínua maré que leva as coisas, que somos exoráveis.
Para muitos, essa consciência é que move o mundo: é o tique-taque do relógio que nos diz ser hora de começar, antes que seja tarde. Alguns gastam a vida buscando justamente fugir dele.
O sofrimento existe, muito dele é inevitável e impiedoso, mas, se não conseguimos nos livrar de todos, podemos ao menos eliminar alguns e atenuar outros, e, como disse Bauman: sempre vale a pena tentar e tentar novamente.

Eu discordo.

Quanto tempo e felicidade você está disposto a gastar por tempo e felicidade?
Isto é, quantos anos de sua vida, fragmentados em exercícios, trabalho, etc., você consumirá para ganhar quantos anos de sua vida ao final dela? O quanto se estressará em discussões, em tomadas de decisão, em planejamento, para poder ter tranquilidade no futuro?
A matemática é bastante clara ao se tratar de números. O gráfico é uma curva que sobe e desce, tendo ali no cume a felicidade máxima, e no eixo horizontal o valor equivalente àquela função.

Mas é claro que eu também discordo.

A vida não é matemática. Até podemos transformar o subjetivo em objetivo, quantificar nossos sentimentos numa escala que nos agrade, incluir esses números num papel, num extensor do nosso cérebro, fazendo um hack mental. Até podemos. Recomendo que você faça, inclusive.
Mas isso não resolve tudo.
Por outro lado, falar que sempre vale a pena tentar e tentar novamente é um absurdo! A maioria das coisas com um "sempre" no meio vai ser absurdo. Sempre é sempre, e não é só sempre tentar, é tentar e tentar novamente.

Qual é seu ponto de equilíbrio?

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