quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Viagem

Ao observar o espaço, olhar ao céu e imaginar se há vida, minha imaginação voa mais rápido que a velocidade da luz.
Que há vida, sei que há. Disto tenho mais certeza que o fato de que não há deus algum.
E, dos incontáveis planetas com vida, dificilmente algum não desenvolveu vida inteligente.
Esta vida está, ao mesmo tempo, viva e morta. Não há relação de passado ou futuro em locais tão distantes. Mesmo que haja vida nesse exato instante, ao olharmos para lá veremos o passado, e essa vida está no futuro do que vemos, mas já existe. Se olhamos e as vemos, estamos olhando restos do passado, de algo que já acabou, talvez antes de nosso planeta ter sequer surgido.
Imagino, deste planeta, que uma espécie muito semelhante à nossa envia em seu momento de maior desenvolvimento e maior declínio (como nós somos hoje, mais avançados que jamais estivemos e mais perto do fim do que nunca) uma mensagem ao espaço, escrita num sólido ou numa mensagem holográfica. Uma mensagem para outra espécie que talvez leia.
[nesse momento, ignoro que já fizemos isso mais de uma vez, e rio para mim mesmo]
Uma espécie de infográfico explicando o Golden Disc da Voyager. Não transcreverei o texto, pois é irrelevante.
#PraCegoVer: Uma espécie de infográfico explicando o Golden Disc da Voyager. Não transcreverei o texto, pois é irrelevante.
O que teria nessa mensagem? Sei o que eu mesmo colocaria nela:
Uma saudação, um aviso de "essa busca encerrou, existe vida aí fora e essa mensagem é prova disto, partam para outras buscas".
Mostraria o que há no nosso mundo, que seres e espécies aqui vivem, para servir de comparação a eles. Imagine só, receber uma mensagem de outro planeta tão distante quanto possível, e não poder sequer imaginar a cor do chão em que pisava o remetente! Por outro lado, imagine que a mensagem contém fotos de diversos seres vivos de lá e, não por coincidência, eles parecem com seres daqui!
Um mapa para nos achar.
Enfim, minha imaginação voa.
Avisaria, insistentemente e de forma redundante, que não há motivos para adorar a mensagem ou seus remetentes. Que não há nada de sagrado, de mágico, de superior, de ordenamento moral ou ético, na mensagem, que é apenas uma cortesia que tanto sonho em encontrar um dia: uma resposta para a pergunta "há vida lá fora?".
[rio novamente por escrever para mim mesmo algo tão sincero e nele conter a seguinte sequencia lógica: 1) sei que deus não existe; 2) acredito ainda mais que há vida em outro planeta; 3) ainda tenho dúvidas se há vida lá fora; 4) tenho orgulho disto e não preciso provar para ninguém.]
Foto da Conferência de Solvay
#PraCegoVer: Foto da Conferência de Solvay, que inclui alguns dos maiores nomes da década de 1910. Destaco Marie Curie, primeira mulher a ser laureada com um Prêmio Nobel e a primeira pessoa e única mulher a ganhar o prêmio duas vezes.
Por último, tentaria ensinar coisas úteis. Uniria as mais importantes teorias do passado (Pitágoras, Darwin, Kepler, Hubble, Newton, Einstein, Curie) e algumas hipóteses sobre presente e futuro, separando sem deixar dúvidas as primeiras, certas, das últimas, especulações.
[a vontade que surgiu nesses momento de buscar saber os itens em comum com a mensagem da Voyager será saciada noutro dia]
Enfim, voltando à mensagem enviada de outro planeta para o espaço (e talvez para cá). Essa mensagem voa no espaço em velocidade altíssima. Pode demorar bilhões de anos para ser recebida por alguém. Ao chegar da mensagem, a espécie que a enviou é ao mesmo tempo presente e passado. Deixou de existir, mas está naquela mensagem. O tempo todo que a mensagem flutuou no espaço, esperando ser encontrada, é o próprio tempo em que a espécie esperou ser vista. Mesmo que nunca encontrada, a mensagem ainda há.
O tempo é uma abstração por nós criada para entendermos o mundo. Anos ou quilômetros pouco diferem se são a distância entre eu e qualquer coisa no universo.

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