quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Sou um barbeiro com minhas navalhas

Existem alguns princípios que norteiam o pensamento. Eles não são absolutos, mas ajudam a não perder tempo. As chamadas “navalhas” são estratégias de pensamento oriundas da Filosofia, as quais podem ajudar a tornar mais claros os debates e as soluções de problemas. Gosto especialmente dessas:

1- Navalha de Hitchens
2- Navalha de Occam
3- Navalha de Hanlon / Heinlein

Foto de uma navalha
#PraCegoVer: Foto de uma navalha antiga.

Navalha de Hitchens

“Quod gratis asseritur, gratis negatur”.


Se é afirmado sem argumentos, é descartado sem argumentos. Já evitei muitos debates que seriam longos, chatos e dariam em conflitos, me lembrando disso. Infelizmente, pode soar como arrogância, mas é questão do mal menor.

O problema geral é que, em grande parte dos casos, afirmações sem argumentos são as defendidas com mais força de vontade. As pessoas não querem abrir mão de suas crenças centrais. Até mesmo essas navalhas, se levadas muito a sério, podem ser um problema.


Navalha de Occam

"entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem"

É frequentemente descrito pela expressão latina Lex Parsimoniae (Lei da Parcimônia) enunciada como as entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade. Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor.

O princípio afirma que a explicação para qualquer fenômeno deve assumir apenas as premissas estritamente necessárias à explicação do mesmo e eliminar todas as que não causariam qualquer diferença aparente nas predições da hipótese.

A Navalha de Occam, como as outras, é um princípio metodológico, e não uma lei que diz o que é verdade e o que não é. Ou seja, ela não sugere que as explicações mais simples são sempre as verdadeiras e que as mais complexas devem ser refutadas em qualquer situação. A explicação mais simples nem sempre é a mais correta.

Para Walter Chatton, contemporâneo de Occam, se três entes não forem suficientes para verificar uma afirmação acerca de algo, então uma quarta deve ser acrescentada, e assim por diante. Karl Menger afirmou que as entidades não podem ser reduzidas até ao ponto da inadequação, e é inútil fazer com pouco o que requer mais. E Albert Einstein disse que tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso.

Navalha de Hanlon / Heinlein

"Nunca atribua à malícia o que pode ser adequadamente explicado pela estupidez."

Especialmente útil para os ansiosos como eu, que em suas cabeças discorres diálogos acalourados com aqueles que lhes causam mal ou desagradam. É uma distorção cognitiva comum querer realizar leitura mental dos outros, achar que sabe o que os outros estão pensando e não considera outras possibilidades mais prováveis.

Quais são seus argumentos para achar que há malícia nos atos de outrém? Esta é a explicação mais provável para esses acontecimentos?

Em geral, as pessoas são burras mesmo. Ou não. Não simplifiquemos tanto, não coloquemos tudo no preto-no-branco. Há tons de cinza, misturas de bondade e maldade, inteligência e estupidez, e grandes combinações desses e outros fatores.

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